Porto Antigo
"É onde pode ainda perceber-se a feição provincial do Porto Antigo, tão avivada pela arte dos romancistas portuenses Almeida Garrett, Arnaldo Gama,
Camilo Castello Branco, etc", no interior das linhas de circunvalação.
Nova Alfândega do Porto, Porto ©
O Porto popular
"O espírito parece absorver das paredes denegridas dessas vielas estreitas a alma popular da meia idade, devota e revolucionária, forte pelas energias do
trabalho e meiga pela pureza patriarcal dos costumes. Na Banharia, em São Sebastião, nas Aldas, (...) canta no ar a mesma música daqueles tachos e
caldeiras, com que a arraia miúda ia fazer algazarra às portas do seu bispo, ouve-se a mesma roda dos torneiros, as ponteiras dos guardas-chuvas saem
igualmente das oficinas até ao meio da rua com risco de perfurarem os transeuntes que passam" (O Porto, em José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco, p. 685).
Rua de Sant'Ana
A Rua de Sant'Ana (...) "evoca nitidamente pela sua feição característica o aspecto do Porto medieval, e basta que a gente se demore um pouco junto ao
nicho da santa, próximo ao corte do velho arco da muralha sueva, para ver ressurgir as figuras animadas por Garrett no seu romance do Arco de Santa Anna" (idem).
O Barredo
"Destinado a desaparecer com as avenidas da nova ponte e com a passagem do caminho de ferro de Camapnhã à Alfândega, é por igual um documento do velho
Porto; mas nesse labirinto de becos, escadas e vielas, em que as casas parecem sustentar-se por um milagre de equilíbrio, em que no solo imundo fermentam as
guelras de peixes e os troços de hortaliça, a gente chega a compreender a heróica dedicação dos portuenses, condenando-se voluntariamente ao alimento dos
miúdos e entranhas das rezes, para que a armada do comando do Infante D. Henrique pudesse ir provida de víveres de boa qualidade à gloriosa conquista de
Ceuta" (ibid.).
Rua de Santa Anna, Porto antigo ©
Tripeiros
"Tal é a origem da alcunha de
tripeiros, que os portuenses aceitam com orgulho,como um documento do seu patriotismo, afirmado aliás nessa empresa
por outros rasgos generosos de dedicação cívica, tais como o de fornecerem à sua custa homens, navios e munições para essa aventura marítima de D. João I" (ib.).
O Infante D. Henrique
O nome do Infante D. Henrique é uma das mais brilhantes glórias do Porto, que neste momento invocamos, e prende-se também à cidade antiga, pela recordação da casa
em que nasceu ou habitou na rua da Reboleira. Reproduzimos em gravura uma das janelas desse prédio, como um documento arqueológico de valor, e atestado condigno
de quanto merece honrar-se tudo o que diz respeito ao imortal criador da Escola de Sagres" (ib.).